Histórico

                                                         25/09/2017                                           (acréscimos 05/12/2017)

        O Instituto Agronômico (IAC) foi fundado em Campinas em 27 de junho de 1887, como Imperial Estação Agronômica, durante a expansão da cafeicultura em São Paulo, ainda no período do Império, por D. Pedro II. Quase 50 anos depois da fundação da instituição, já na República (presidência constitucional de Getúlio Vargas), no dia 05 de Julho de 1935 (governo de Armando de Sales Oliveira e administração do Dr. Theodureto de Almeida Camargo), por ocasião da publicação do Decreto n° 7.312, foi criado o "Herbário Fanerogâmico e Criptogâmico do Instituto Agronômico", na então Seção de Botânica Econômica. O nosso Herbário, está registrado no Index Herbariorum, tendo a sigla "IAC", ou seja é o "Herbário IAC".  Foi o quarto herbário de plantas a ser criado no Estado de São Paulo, depois dos herbários do Instituto Florestal (SPSF - 1896), do Instituto de Botânica (SP - 1917) e da Universidade de São Paulo - USP (SPF - 1932).  É posterior, inclusive, ao Herbário Micológico (IACM - 1932), herbário de fungos, do próprio Instituto Agronômico.

        As amostras representadas no Herbário IAC correspondem a ramos com folhas e flores e/ou frutos ou outras estruturas reprodutivas (ou mesmo plantas inteiras, quando pequenas) de cerca de 30 cm, prensadas e desidratadas (exsicatas), que se prestam à documentação científica (inclusive para denominação e registro internacional de cultivares) e estudos taxonômicos, morfológicos e genéticos. No caso de estruturas muito grandes, como folhas ou cachos de palmeiras, as mesmas são seccionadas, selecionando-se porções da base, meio e ápice, para montagem e incorporação na exsicata.

        Com base nos dados atuais, referentes a 95,87% da coleção analisada, o Herbário IAC conta (embora alguns nomes, particularmente de espécies, precisem de atualização) com briófitas (3 famílias, 3 gêneros e 3 espécies, identificados); samambaias e licófitas (32 famílias, 82 gêneros e 236 espécies, identificados); gimnospermas (9 famílias, 20 gêneros e 39 espécies, identificados) e angiospermas (248 famílias - APG IV, 2.707 gêneros e 10.680 espécies, identificados).

        No momento, o acervo está sendo fisicamente reorganizado em Materiais-Tipo e Coleção Geral de acordo com atuais sistemas filogenéticos lineares. Um diferencial do Herbário IAC é a sua Coleção de Cultivares e Parentes Silvestres, na qual há representantes de diversos cultivos pesquisadas e melhoradas no IAC, ao longo do tempo, como café (Coffea - 504 amostras), milho (Zea - 260), arroz, (Oryza - 141), feijão (Phaseolus - 171), amendoim (Arachis - 748 amostras) e plantas ornamentais, entre outras.

        Além dos cultivos mais tradicionais, muitas espécies de interesse econômico foram introduzidas no Brasil, através do IAC, para avaliação da sua adaptabilidade e viabilidade de cultivo em nosso país. Assim, há muitas destas espécies no Herbário IAC, várias delas de seus países de origem ou áreas tradicionais de cultivo ou com condições ambientais semelhantes às nossas. Quase 10% das amostras são provenientes de 32 diferentes países, destacando-se Estados Unidos (2232 amostras), Argentina (1590), El Salvador, Uruguai, Japão e Colômbia.

        O acervo inclui, também, muitas amostras de plantas invasoras e plantas tóxicas, de várias famílias botânicas, nocivas ao bom desenvolvimento da agricultura e/ou pecuária.       

        Ainda, possui um expressivo acervo de amostras de plantas nativas (embora muitas das quais possam também ser cultivadas para a recuperação e restauração ambiental ou como ornamentais e arborização), indicadoras da sustentabilidade agrícola, bem como da qualidade ambiental e da paisagem, de modo geral, e fundamentais aos ciclos biológicos, tais como a ciclagem de nutrientes e sequestro de carbono.

        Botânicos e colaboradores, muitos dos quais pesquisadores da Instituição, como Roseli B. Torres (2666 amostras); G.A. Black (1965), Ahmés P. Viégas (1961), R.L. Froés (1878), Hermógenes F. Leitão Filho (1565), J. Santoro (1562), J. Murça Pires (1297), José Eduardo A. Bertoni (1106), José Ataliba M.A. Gomes (1061), Antônio Geremias (1045), Géza F. Árbocz (1044), Sigrid L. Jung-Mendaçolli (842), Eliana Ramos (740); D.M. Dedecca (672), Hermes M. Souza (623), Antônio F.C. Tombolato (514), Renato F.A. Veiga (491), José F. Benedito (460), Condorcet Aranha (459), Alcides Carvalho (380), L. Krieger (363), Helmut P. Krug (305), Carla F. Nardin (271),  Glauco P. Viégas (265), Francisco A.L. Moraes (228), A. Ducke (205), Amaro Macedo (195), Rachel B. Queiroz-Voltan (139) e W.G. Houk, primeiro botânico e iniciador do acervo (89 amostras), tem coleções representativas depositadas no Herbário IAC.

        O acervo do herbário apresentou períodos de maior ou menor crescimento: entre 1942 e 1946, período da Segunda Guerra Mundial, houve uma diminuição sensível no crescimento da coleção. Entre 1956 e 1966 e entre 1974 e 1992, o crescimento da coleção foi menor do que em outros períodos. A partir de então, a coleção ganhou novo impulso, em decorrência dos projetos desenvolvidos pela equipe de taxonomistas.  Hoje em dia, o Herbário IAC é um herbário de médio porte, sendo o segundo maior do estado de São Paulo, ligado a instituição de pesquisa agrícola, e o sétimo maior no geral, possuindo em seu acervo 56.618 distintas exsicatas.  Ou seja, tem o tamanho aproximado dos herbários PAMG (Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais - EPAMIG) e PEUFR (Universidade Federal Rural de Pernambuco - UFRPE). Entre os herbários ligados a instituições marcadamente de pesquisa agrícola, apenas os herbários ESA (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiróz/USP) e CEN (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária/EMBRAPA Recursos Genéticos e Biotecnologia) tem ordem de grandeza maior que o Herbário IAC.

        Atualmente, a Sementeca do IAC, foi incorporada ao Herbário IAC e está em processo de informatização. Tal acervo é representado por cerca de 70 mil diferentes amostras de sementes, das diferentes espécies e acessos das plantas introduzidas, através da unidade de Introdução e Quarentena de Plantas, e estudadas no IAC.

      

Além do Herbário IAC e do Herbário Micológico - IACM (Mycological Herbarium, Cx Postal 28, Campinas-SP. CEP 13012-970 - Curadora: Dra. Margarida Fumiko Ito), o Instituto Agronômico contava com a coleção entomológica, e ainda conta, nos dias de hoje, com coleções vivas, tais como BaGs (Bancos Ativos de Germoplasma), de cultivos agrícolas brasileiros e coleções de Rhizobium e similares.