Histórico

                                                                                                   24/05/2017     

        O Instituto Agronômico (IAC) foi fundado em Campinas em 27 de junho de 1887, como Imperial Estação Agronômica, durante a expansão da cafeicultura em São Paulo, ainda no período do Império, por D. Pedro II. Quase 50 anos depois da fundação da instituição, já na República (presidência constitucional de Getúlio Vargas), no dia 05 de Julho de 1935 (governo de Armando de Sales Oliveira e administração do Dr. Theodureto de Almeida Camargo), por ocasião da publicação do Decreto n° 7.312, foi criado o "Herbário Fanerogâmico e Criptogâmico do Instituto Agronômico", na então Seção de Botânica Econômica. O nosso Herbário, está registrado no Index Herbariorum, tendo a sigla "IAC", ou seja é o "Herbário IAC".  Foi o quarto herbário de plantas a ser criado no Estado de São Paulo, depois dos herbários do Instituto Florestal (SPSF - 1896), do Instituto de Botânica (SP - 1917) e da Universidade de São Paulo - USP (SPF - 1932).  É posterior, inclusive, ao Herbário Micológico (IACM - 1932), herbário de fungos, do próprio Instituto Agronômico.

        Com base nos dados atuais, referentes a 95,53% da coleção analisada, o Herbário IAC conta (embora alguns nomes, particularmente de espécies, precisem de atualização) com briófitas (3 famílias, 3 gêneros e 3 espécies, identificados); samambaias e licófitas (32 famílias, 82 gêneros e 236 espécies, identificados); gimnospermas (9 famílias, 20 gêneros e 39 espécies, identificados) e angiospermas (248 famílias - APG IV, 2.707 gêneros e 10.680 espécies, identificados).

        No momento, o acervo está sendo fisicamente reorganizado em Materiais-Tipo e Coleção Geral de acordo com atuais sistemas filogenéticos lineares. Um diferencial do Herbário IAC é a sua Coleção de Cultivares e Parentes Silvestres, na qual há representantes de diversos cultivos pesquisadas e melhoradas no IAC, ao longo do tempo, como café (Coffea -504 amostras), milho (Zea - 260), arroz, (Oryza - 141), feijão (171), amendoim (748 amostras) e plantas ornamentais, entre outras.  O acervo inclui, também, muitas plantas invasoras e plantas tóxicas, de várias famílias botânicas, nocivas ao bom desenvolvimento da agricultura e pecuária. Ainda, possui um expressivo acervo de amostras de plantas nativas (embora muitas das quais também cultivadas para a recuperação e restauração ambiental e como ornamentais), indicadoras da qualidade ambiental e da paisagem e fundamentais aos ciclos biológicos, tais como a ciclagem de nutrientes e sequestro de carbono.

       

        Botânicos e colaboradores, muitos dos quais pesquisadores da Instituição, como Roseli B. Torres (2666 amostras); G.A. Black (1965), Ahmés P. Viégas (1961), R.L. Froés (1878), Hermógenes F. Leitão Filho (1565), J. Santoro (1562), J. Murça Pires (1297), José Eduardo A. Bertoni (1106), José Ataliba M.A. Gomes (1061), Antônio Geremias (1045), Géza F. Árbocz (1044), Sigrid L. Jung-Mendaçolli (842), Eliana Ramos (740); D.M. Dedecca (672), Hermes M. Souza (623), Antônio F.C. Tombolato (514), Renato F.A. Veiga (491), José F. Benedito (460), Condorcet Aranha (459), Alcides Carvalho (380), L. Krieger (363), Helmut P. Krug (305), Carla F. Nardin (271),  Glauco P. Viégas (265), Francisco A.L. Moraes (228), A. Ducke (205), Amaro Macedo (195), Rachel B. Queiroz-Voltan (139) e W.G. Houk, primeiro botânico e iniciador do acervo (89 amostras), tem coleções representativas depositadas no Herbário IAC.

     O acervo do herbário apresentou períodos de maior ou menor crescimento: entre 1942 e 1946, período da Segunda Guerra Mundial, houve uma diminuição sensível no crescimento da coleção. Entre 1956 e 1966 e entre 1974 e 1992, o crescimento da coleção foi menor do que em outros períodos. A partir de então, a coleção ganhou novo impulso, em decorrência dos projetos desenvolvidos pela equipe de taxonomistas.  Hoje em dia, o Herbário IAC é um herbário de médio porte, sendo o segundo maior do estado de São Paulo, ligado a instituição de pesquisa agrícola, e o sétimo maior no geral, possuindo em seu acervo 56.556   distintas exsicatas.  Ou seja, tem o tamanho aproximado dos herbários PAMG (Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais - EPAMIG) e PEUFR (Universidade Federal Rural de Pernambuco - UFRPE). Entre os herbários ligados a instituições marcadamente de pesquisa agrícola, apenas os herbários ESA (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiróz/USP) e CEN (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária/EMBRAPA Recursos Genéticos e Biotecnologia) tem ordem de grandeza maior que o Herbário IAC.

        Atualmente, está em processo de informatização a Sementeca do IAC, que é representada por amostras de de sementes das diferentes espécies e acessos das diferentes plantas introduzidas, através da unidade de Introdução e Quarentena de Plantas, e estudadas no IAC. Tal coleção está representada por cerca de 60 mil diferentes amostras.

      

Além do Herbário IAC e do Herbário Micológico - IACM (Mycological Herbarium, Cx Postal 28, Campinas-SP. CEP 13012-970 - Curadora: Dra. Margarida Fumiko Ito), o Instituto Agronômico contava com a coleção entomológica, e ainda conta, nos dias de hoje, com algumas coleções vivas tais como BaGs (Bancos Ativos de Germoplasma) de alguns cultivos agrícolas brasileiros e coleções de Rhizobium e similares.